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A urgência de se sentir humano em um mundo que afasta a Essência

  • Foto do escritor: fredijon
    fredijon
  • 31 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Por Fredi Jon


Em um tempo dominado pela hiperconexão e pela velocidade, o ser humano tem enfrentado uma crise silenciosa e profunda: o distanciamento de si mesmo. Entre algoritmos, metas inalcançáveis e ruídos externos, o simples ato de sentir-se humano se tornou um desafio diário, e urgente.

De acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), casos de ansiedade e depressão aumentaram mais de 25% após a pandemia de COVID-19, evidenciando o desequilíbrio emocional de uma sociedade que já vinha adoecendo antes da crise sanitária. Especialistas apontam que parte dessa fragilidade emocional tem origem na alienação digital, no excesso de estímulos e na perda de contato com a própria interioridade.

"A tecnologia nos aproxima dos outros, mas pode nos afastar de nós mesmos", afirma Sherry Turkle, psicóloga e pesquisadora do MIT, autora do livro Alone Together (Sozinhos Juntos). Segundo ela, vivemos uma "solidão conectada", em que a presença constante no mundo virtual acaba por enfraquecer o vínculo com o mundo real — e com a nossa própria essência.

Outro fator crítico é o ritmo frenético de vida imposto pelo modelo econômico vigente. Um relatório da Gallup de 2023 revelou que 60% das pessoas no mundo afirmam estar emocionalmente desligadas do trabalho, sentindo-se exaustas, improdutivas e desconectadas de propósito. O sociólogo Zygmunt Bauman já alertava, antes de sua morte, que "vivemos tempos líquidos, onde tudo é instável, inclusive os laços afetivos e identitários".


Essa fluidez imposta nos faz correr, mas sem direção. A cultura do desempenho e do sucesso a qualquer custo constrói padrões que excluem a vulnerabilidade humana, levando muitos a esconderem suas angústias atrás de sorrisos ensaiados e postagens editadas. “É uma era em que se vende felicidade e se consome ansiedade”, escreveu o filósofo Byung-Chul Han, no livro A Sociedade do Cansaço, onde denuncia a autoviolência gerada pela pressão de sermos constantemente produtivos e positivos.

Além disso, há uma clara desconexão entre o ser humano e a natureza, uma separação que empobrece o espírito. Uma pesquisa da Universidade de Exeter, no Reino Unido, publicada no periódico Scientific Reports, demonstrou que pessoas que passam pelo menos duas horas semanais em ambientes naturais relatam significativamente mais bem-estar físico e mental. A vida urbana, acelerada e concreta, tem apagado essa relação ancestral com a terra, o tempo e os ciclos naturais.

Somado a tudo isso, o excesso de consumo e a busca incessante pelo ter, em detrimento do ser, nos afasta do que realmente importa. O materialismo, ao contrário do que promete, não tem gerado felicidade duradoura. Um estudo publicado pela American Psychological Association mostrou que pessoas altamente materialistas tendem a apresentar níveis mais altos de estresse, depressão e insatisfação com a vida.

Superar esse afastamento de si exige mais do que terapias ou retiros momentâneos. É necessário cultivar um novo olhar sobre o que significa ser humano em sua plenitude: aceitar fragilidades, desacelerar, reconectar-se com o corpo, com o silêncio, com a terra, com o outro, e com o próprio coração.

Nesse caminho, reencontrar a própria humanidade pode ser o maior ato de resistência contra um sistema que insiste em nos tornar máquinas. E talvez a mais bela revolução possível seja justamente essa: deixar uma digital na existência não por performance, mas por presença.

 
 
 

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